Por que você não pode perder o Super Bowl

Amanhã dia 3 de fevereiro de 2019 será mais uma grande final da tão famosa liga de futebol americano nos EUA, o Super Bowl 53. Dessa vez a cidade de Atlanta será a grande sede do evento, que sempre conta com diversas atrações durante os intervalos e também a grande festa da publicidade americana. Para as agências de publicidade é como atingir o ápice.

Quando estive em Nova York, há alguns anos atrás tive a oportunidade de conhecer o escritório da NBA, lembro que era um momento tenso pois os jogadores estavam em greve e por isso nem fotos eu poderia fazer dentro do escritório. O que mais me impressionou foi o departamento de marketing da liga, pois é um trabalho “Coca-Cola”, constantemente pensando em engajar o público para os jogos e todas as plataformas. Lembro que um dos fatores marcantes era recrutar jogadores do mundo inteiro para que a liga se torna-se mais internacional e atrair pessoas de diversos países.

O futebol americano, como já o próprio nome diz, sempre foi algo “americano” para nós brasileiros. Pois futebol pra gente sempre foi com a bola no pé. Como vítimas de um bom marketing: a criação de atletas-ídolos, paixão por times que você não tinha contato ou não foi de alguma forma influenciado pelos seus familiares, e itens de merchandising super bem confeccionados, o futebol americano começou a ganhar força e fãs no país do futebol nos últimos anos.

E por que será que existe tanto interesse de ganhar essa nova audiência? Será mesmo apenas uma expansão global ou algum interesse para migrar a audiência para outros mercado enquanto se preparam para um novo grande negócio?

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Minha teoria começou após assistir o filme Concussion, estrelado por Will Smith no papel do nigeriano-americano Bennet Omalu, o primeiro neuropatologista a publicar descobertas de encefalopatia traumática crônica (CTE) em jogadores de futebol americano. De forma simples alguns jogadores começaram a ter problemas muito sérios e chegaram a se suicidar ou perderam tudo, família, dinheiro, carreira e se tornaram mendigos.

A NFL obviamente nunca vai admitir isso pois acabaria com um negócio que movimenta bilhões todos os anos.

“Go back to Africa” sugeriu agressivamente o executivo Dave Duerson da NFL ao Dr. Omalu.

Apesar do anti-marketing com o futebol americano muitas famílias de classes mais baixas ainda acreditam que é uma das melhores formas de sair da pobreza nos EUA. Não muito diferente do seu filho virar o Neymar no Brasil.

Leia o artigo em inglês: The White Flight From Football publicado pelo The Atlantic.

The White Flight From Football

Os EUA como todos sabemos é a maior economia do mundo, aquele país soberano que sempre está jorrando seus dólares no mundo, controlando a comunicação e dando garfada no prato dos outros mesmo sem ser chamado.

Após entender que talvez o futebol americano não seja tão saudável para nossos meninos americanos, migrar essa cultura para outros países seja interessante juntamente com outros movimentos políticos.


Quando se pensa globalmente, existem poucas organizações que possuem um grande alcance e adoção de seus locais.

1. Nações Unidas (ONU)

A ONU que é considerada uma organização governamental internacional, têm 193 países associados, e sua sede fica em Nova York nos EUA. Nada mais conveniente do que jogar (sempre) em casa, com a sua torcida, e ter todos os outros países como visitantes.

Além disso a ONU possui outras entidades abaixo dela como a Interpol, a OMC (Organização Mundial do Comércio), OMA (Organização Mundial das Alfândegas), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Postal Universal, que agrupa todos os serviços postais do mundo.

Vale ressaltar também que o maior contribuinte das Nações Unidas é os EUA. Isso não deve ser estranho para o mundo da publicidade, onde quem contribui mais para os grandes festivais sempre tem o seu reconhecimento através de prêmios. 🤔

2. Vaticano

Religião sempre é um assunto muito delicado e a Igreja Católica vem guiando este assunto sempre com maestria desde os primórdios com os seus 216 países associados.

O fator fé tem mudado muito o comportamento de novas gerações dependendo muito do país onde essa pessoa vive e crenças locais.

Vender algo além da força humana, que está acima nós, foi o que o Al Gore tentou usar muito em sua corrida presidencial, e falhou. Claro que acho correto uma conscientização sobre o consumo e suas consequências. Mas ele perdeu muito crédito quando investigações descobriram números adulterados sobre o aquecimento global em sua campanha.

E também misturar políticos e uma figura como o Papa para ter um certo controle sobre a população nunca foi fácil.

3. FIFA

O futebol (soccer) ⚽, e não o football (americano) 🏈, é um esporte intrigante pois consegue chamar a atenção global a cada quatro anos do mundo inteiro. Entendo que ainda não dos americanos mas isso está prestes a mudar nos próximos anos.

A FIFA, se você ainda não sabe, tem 211 países associados. Um número maior do que a ONU e tem um assunto que é mais leve para o povão. Futebol sempre é uma forma fácil de começar uma conversa e alguém no governo americano percebeu isso.

Como todo bom filme de ficção, neste ponto-chave, começa a Caça às Bruxas.

Investigações começaram na CONCACAF e que obviamente se conectavam com o FIFA, iam de lavagem de dinheiro, corrupção, propina e todas as palavras-chaves para você ler nas notícias. Isso foi muito conveniente e talvez a melhor oportunidade dos EUA intervir na festa e começar a colocar “ordem” na casa.


Por aqui nos EUA, a liga profissional de futebol – MLS, está se esforçando em fazer o futebol um grande esporte aqui. Não apenas trazendo jogadores aposentados da Europa para jogar, um pouco parecido com o nosso atual futebol brasileiro, mas atraindo investimentos pesados e com personalidades como o Kaká e o David Beckham.

Inclusive muitos jogadores novatos do Brasil agora preferem começar a sua carreira nos EUA, um ambiente menos competitivo do que a Europa e claro realizar o Brazilian Dream nos EUA.

Logo do Internacional de Miami no bairro de Wynwood

A marca do time Internacional de Miami foi criado pela agência AKQA em São Paulo e Londres. E pelo que podemos ver estão fazendo a lição de casa direitinho, para colocar dentro do seu coração um time que nem existia.

Não seria surpresa os EUA ganhar uma Copa do Mundo logo mais, pois uma vez que o plano foi traçado, a ideia é executado com perfeição.

O futebol por aqui ainda é mais praticado por meninas nas escolas do que meninos, e a consequência disso é a força do futebol feminino americano, que já é tricampeão mundial na Copa do Mundo de Futebol Feminino.

Sim, a nossa Marta é ainda a maior artilheira de Copas do Mundo, e joga mais do que muitos em nossa seleção masculina atual. E como já acredito que aprendemos no 7×1, só apenas um jogador não faz verão – nosso país precisa investir seriamente no esporte.


Acredito que em breve teremos um americano no alto-escalão da FIFA, por toda a conveniência e conexões que essa instituição futebolística proporciona.

E você pode me dizer que não é mais uma vítima deste marketing esportivo americanizado, mas amanhã veremos muitos sintonizarem às 6:30 p.m. ET, na ESPN e pegar um brisket 🍖 com um pint de Budweiser 🍺 para assistir este grande evento, que faz parte da nossa cultura disneylândia brasileira.

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