🚩 A indústria por detrás da WeWork

🚩 A indústria por detrás da WeWork

Passei dois meses trabalhando em 3 escritórios da WeWork em Miami. Minha experiência começou no WeWork Brickell Plaza e logo depois mudei para a região de Coral Gables onde trabalhei no WeWork Ponce de Leon e WeWork Giralda Place. E tudo isso trabalhando para a mesma empresa.

Este crescimento exponencial está acontecendo globalmente nas maiores cidades do mundo e está mudando a dinâmica do mercado imobiliário localmente. No Brasil, onde a nossa economia tem andando apenas de lado nos últimos anos, esta nova dinâmica está ajudando a movimentar a economia e utilizando espaços que eram destinados apenas para corporações antigamente.

Essas lajes de escritórios abandonados encontraram um nicho de mercado e estão sendo melhor aproveitados. O comércio popular já havia adaptado isso depois dos aluguéis altíssimos nas principais zonas de comércio em São Paulo, os famosos boxes na Feirinha da Madrugada.

Feira da Madrugada no Brás em São Paulo

Os grupos de shopping centers também estão sofrendo com essas mudanças e provavelmente uma mudança radical deva acontecer tanto nos EUA como no Iguatemi e outros grupos brasileiros, acredito que não como boxes mas como áreas que possam misturar entretenimento, cultura, música e outras expressões de arte do que apenas a arte de comprar do mais puro capitalismo.

E antes que a sua mente brilhante e empreendedora comece a criar modelos de negócios similares ao WeWork para outros segmentos, pense que atualmente várias dessas startups globais e brasileiras só existem porque estão sendo subsidiadas por investidores de risco, que em algum momento podem mudar de ideia.

Sim, a sua corrida de Uber, 99, Cabify e outros aplicativo de mobilidade, inclusive as scooters, só estão instalados no seu iPhone porque alguém, por enquanto está pagando a conta.

Como já dizia o ditado popular: quanto maior a altura, maior a queda. O Uber, Netflix, WeWork e todas essas magníficas startups (um insulto ao termo startup por parte de empresas gigantes), ainda estão levantando muito dinheiro para continuar operação megalomaníaca deles. Isso até quando investidores começarem a ter dor de barriga e mudarem de ideia, para tudo começar ir por água abaixo. E não será a primeira vez que isso vai acontece no Brasil, não é mesmo _______?

The bigger they are, the harder they fall

Mesmo assim, você deve estar ficando excitado igual a um jovem adolescente com espinha na cara: Sim, sim, vamos montar uma startup e ficar milionário!

🛑 Não. Resposta errada.

🤔 Pare e pense.

Pois agora que estas empresas estão gigantes, é tarde demais para meros mortais, como eu e você, criarmos algo novo e competir neste mercado cercado de tubarões, e isso me lembrou do meu amigo Renatinho.

Vou contar um breve resumo da vida do Renatinho.

Lembra anos atrás, sim muito antes das paleterias mexicanas invadirem a cidade, houve um outro movimento chamado Yogoberry, onde consumidores formavam filas gigantes atrás de um potinho de iogurte recheado de toppings, e você teve a mesma sensação: comércio simples e lucrativo. Genial, vou abrir uma franquia.

🛑 Errado novamente.

Renatinho, este sim, foi gênio. Ele havia algumas lojas de iogurte, que ele chamava de lojas-piloto. Onde usava basicamente para testar sabores e receber feedback de clientes.

Logo, ele percebeu que a grande longevidade do negócio, e neste caso a oportunidade, não estava em abrir mais lojas apenas das pornográficas margens de lucro. Desde então a grande missão de Renatinho foi aquisição. Sim, meio um modelo AB Inbev. Comprar fábricas e otimizar operação.

Pois no final das contas, o incrível iogurte era apenas um pó que também pode ser utilizado para fazer sorvete.

Renatinho, montou seu business plan, conversou com alguns venture capitalists, levantou seu round de investimento e foi às compras.

Para fazer uma estória longa, curta. Renatinho sobreviveu a quebradeira desgovernada ladeira abaixo que iogurterias sofreram, assim como paleterias e provavelmente hamburguerias e outros negócios sem propósitos reais irão sofrer.

Renatinho pivotou o negócio dele, como no mundo das startups, e hoje fornece não apenas pó para iogurte e sorvetes, mas também chocolate e outros ingredientes à prova de bolhas do mercado.

Então agora repense, e seja você também um Cocopreneur, e não seja míope com as oportunidades.

Conquiste o mundo sem grandes inovações.

É como pegar uma tecnologia militar, como por exemplo a própria internet e usar 15 anos depois para o mercado de massa.

Imagine agora nos fornecedores da WeWork, que fazem canecas, copos, entregam café, açúcar, adoçante, papel higiênico e todo tipo de insumo para fazer a indústria deles funcionar.

Talvez uma ideia simples pode trazer dinheiro REAL 🤑 para sua conta bancária do que uma startup inovadora que vive de pitch e conversa fiada.

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